quarta-feira, 21 de março de 2012

DICA Bicicletas e suas partes – Como escolho a minha bicicleta e suas peças?


Bicicletas e suas partes – Como escolho a minha bicicleta e suas peças?

(por Richard Paul Dunner)
Como escolho a minha bicicleta e suas peças?
Tamanho
 H = altura , I = cavalo
Devido às nossas medidas corporais, altura do cavalo, largura das costas, comprimento dos braços, comprimento das pernas e comprimento do torso, cada um de nós movimenta-se de forma diferente andando de bicicleta.
Compre e use uma bicicleta para o seu tamanho. Qualquer bicicletaria ou especialista do ramo pode lhe dar o conselho apropriado.
O comprimento do tubo do selim e do top tube são essenciais.
Como regra geral para o cálculo do tamanho do quadro pode usar os seguintes parámetros:
Altura do tubo do selim = cavalo x 65 a 66,5%
Comprimento do pedivela = cavalo x 20 a 21%
Exemplo:
Cavalo = 85 cm
Altura do tubo do selim = 85cm x 0,65 = 55,25cm / 85cm x 0,665 = 56,52cm
c-t = altura do tubo do selim
Comprimento pedivela = 85cm x 0,20 = 17cm (170mm) / 85cm x 0,21 = 17,8cm (178mm)
L = comprimento do pedivela
Os fabricantes de bicicletas assumem proporções corporais padrão na construção dos quadros. Para manter a simetria do quadro, tanto o tubo de selim como o top tube irão diminuindo ou aumentando proporcionalmente conforme o tamanho do quadro. Assim, os ajustes finais serão feitos mudando a posição do selim, a inclinação e comprimento da mesa e a inclinação e largura do guidão.
Somente em casos de medidas corporais extremas (altura muito baixa ou muito alta, pernas muito curtas, costas muito compridas, braços muito longos ou curtos) podem fazer com que o ajuste tenha que ser feito com um quadro fabricado sob medida.
Também existem para a escolha do tamanho do quadro algumas tabelas e também calculadores online; um bom exemplo é o EBICYCLES(http://www.ebicycles.com/article/bicycle-frame-size-charts.html)
Escolhendo o modelo
A sua bicicleta tem que ser confortável, não pesada demais para percursos longos e preferencialmente Speed (estradeira) com aro 700C (27 polegadas).
Para o conforto de uma bicicleta, a distância entre eixos é essencial. Bicicletas speed para competição, em geral, têm uma distância entre eixos curta com 97 a 100 cm. São bicicletas rígidas, ágeis e “nervosas”.
Para o nosso propósito, provas de randonneurs, este tipo de bicicleta não é necessariamente apropriada. Assim, seria bom se tivesse uma bicicleta com distância entre eixos maior, acima de100 cm, com quadro de geometria direcionada para o conforto.
Uma boa dicas é o quadro ter como fixar um bagageiro e tenha também espaço para colocar pneus mais largos de até 32mm (1-1/4 polegadas).
Veja nas fotos anexas os belos exemplos de Guilles Berthoud da França e de Mercian da Inglaterra.
Veja também como o guidão fica quase na mesma altura que o selim fazendo com que o ciclista possa pedalar em uma posição mais erguida.
No Brasil é possível achar, com certeza, alguns modelos Caloi, Trek, Scott, Marin, Fuji, Bianchi entre outras marcas com as características descritas acima.
Exemplo: Guilles Berthoud Epervier
Exemplo: Mercian Special
Peças e componentes
Referente às peças e componentes da bicicleta, gostaria de dar algumas dicas e exemplos:
Rodas
As rodas tem que ser escolhidas conforme o peso do ciclista. Com um peso acima de 85 kg, me concentraria em rodas convencionais com muitos raios, 32 ou 36 por roda. Com os raios cruzados por mínimo 2x.
Também sou contra rodas com raios colocados de forma radial, o que é costume sobre tudo em rodas dianteiras, porque, apesar de serem mais rígidas lateralmente, deixam a roda mais dura = amortecimento zero.
Rodas convencionais são mais baratas e mais fáceis para se consertar.
Sei que esta idéia vai contra a tendência do mercado, mas para nós randonneurs, rodas convencionais são mais práticas.
Pneus
Tem que ser usados pneus para estrada asfaltada e não para estrada de terra. Pneus com cravos de MTB tem um arrastro muito maior e não são, definitivamente, apropriados para estrada asfaltada.
Em caso de usar aro 26 é recomendavel colocar pneus slick, de 1 a 1-1/2 polegadas.
Eventualmente, um pneu mais largo de 25 ou 28 mm, que pode ser usado com menor pressão, ajuda mais no conforto. O essencial é reduzir a trepidação.
A pressão nos pneus é essencial. Existem estudos dos anos 80 em que a equipe profissional La Vie Claire, de Bernhard Hinault (5 vezes vencedor do Tour de France), fez testes comparativos, enviando ciclistas com pneus de diferentes pressões para a mesma corrida. O resultado foi que os ciclistas com 10 a 15 libras a menos de pressão nos pneus (105 a 110 lbs em lugar de 120) chegaram mais descansados no fim da prova, sem queda de performance.
A pressão a ser usada nos pneus da sua bicicleta são definidas:
1. Pelos limites definidos pelo fabricante.
2. Pelo seu peso.
No caso de um ciclista mais pesado, será necessária maior pressão nos pneus; caso seja mais leve, poderá usar menor pressão, o que adiciona conforto.
Exemplos:
Continental 4Seasons, 23, 25 ou 28 mm
Continental SportContact  26×1.3, 700×32, 700×37
Marchas
Nós, randonneurs, não necessariamente temos tempo para treinar regularmente e, portanto, ter o preparo físico de um atleta profissional.
Isto significa que as famosas relações coroas 53-39 e pinhões 11-23, podem ser excluídas para 90% de nós.
Temos que usar marchas mais reduzidas, coroas compactas 50-34 ou triplas 52-42-30 na frente e pinhões eventualmente até de MTB atrás 11-28, 11-32, etc.
Interessantemente, Campagnolo publicou que 70 % dos pedivelas Campagnolo Super Record vendidos, os top da linha,  são modelos “Compact”, 50-34.
Para poupar a nossa musculatura, temos que manter uma pedalada com giro rápido. Qualquer pedalada abaixo de 60 giros por minuto, sobre tudo em uma subida, acaba sendo muito desgastante. O que significa que o nosso físico pode não agüentar um esforço que durará muitas horas.
Para ter uma noção da redução das marchas e da influência da velocidade de giro dos pedais na velocidade efetiva na estrada, veja também a tabela bicyclespeeds.por.
Guidão
Acho que o guidão de speed tem muito mais opções para colocar as mãos, que o guidão de MTB e assim pode-se mudar continuamente a posição e evitar dormência.
Defina a largura do guidão medindo a distancia entre os seus ombros. A largura do guidão será igual ou levemente maior a largura medida. Máximo um a dois cm mais largo.
Para longas distâncias, prefiro um guidão de speed, com tubos redondos, porque tem 4 posições para a mão:
1. manete,
2. posição baixa
3. posição atrás do manete na curvatura externa do guidão
4. posição no tubo reto do guidão ao lado da mesa
Não gosto de guidões ergonômicos, porque acabam limitando o movimento das mãos.
Costumo concentrar os faróis e instrumentos como Cateye perto da mesa, e não gosto de bolsa ou bagagem no guidão. Isto tudo, para poder movimentar as mãos da forma mais livre possível.
Para reduzir a pressão nas mãos, costumo colocar até 3 camadas de fita tipo rolha. Solução barata e eficiente.
Não recomendo clips de triatleta, e lembre-se: eles são proibidos em muitas  provas de randonneurs e audax como PBP, LEL e Rocky Mountains. Isto porque não dão margem suficiente de tempo para frear ou mudar de direção em um pelotão.
Selim   
Escolha o selim que distribua a pressão da forma mais uniforme possível. Não interessa se a superficie é mole ou dura, o importante é o formato.
Dormência, pressão ou dor são indicadores de que não está adaptado, ou que existe algum outro problema físico.
Caso não tenha ainda encontrado o selim mais apropiado, existem parâmetros para a sua escolha.
O primeiro que deve fazer é medir a distância de seus ísquios. Esta distância define a largura do seu selim. Pergunte para um especialista como medir.
Existem marcas, como a Specialized, que têm o mesmo modelo de selim em diferentes larguras.
O selim escolhido pode ser um selim de Speed ou MTB. Se o selim é de MTB e funciona, também pode ser usado na speed.
Para mais detalhes, veja as Dicas 2 (em breve).
Exemplo:
selim Brooks B17 
Pedais    
Use o que é mais confortável. As opções são:
1. pedais sem clip
2. pedais sem clip com firma pé
3. pedais com clip de MTB
4. pedais com clip de Speed.
Eu prefiro as primeiras 3 opções, pela simples razão de que posso usar sapatilhas que me permitam andar normalmente.
Os pedais com clip para Speed foram desenvolvidos para corridas e alta performance, tentando aproveitar da melhor maneira possível a força do ciclista. Mas os tacos prominentes somente permitem andar com pé de pato.
A minha preferência se baseia na pratica. Já tivemos casos em provas que o ciclista, usando pedais com clip de Speed, teve que caminhar uma distancia a pé para resolver algum problema. Acabou quebrando um dos tacos e não tendo como repor perdeu a prova.
Posição/bike fit
Estando bem encaixados na bicicleta, ficamos mais soltos, e isto repercute nos movimentos de todo o nosso corpo.
Muitas vezes, travamos o corpo por cansaço, dor ou nervosismo. No meu caso, já percebi por várias vezes que estava tenso em cima da bicicleta. Assim, simplesmente tentei soltar o meu corpo outra vez: pedalada mais redonda, menos pressão no guidão, etc e, de repente, o desconforto e as dores sumiram.
O nosso corpo tem que estar equilibrado de tal forma em cima da bicicleta que exista uma distribuição de peso adequada entre traseiro, pés e mãos. Os 3 pontos de contato.
Qualquer mal estar, dor nas costas, no traseiro, nas mãos, nos pés ou dormência indica que existe algum desequilíbrio.
A posição e a altura do selim, a altura do guidão e a distância do corpo e dos braços até o guidão definem a inclinação do seu corpo durante a pedalada (mais erguido ou menos erguido).
Para maiores distâncias, onde a prioridade é o conforto, é melhor ficar mais erguido, devido às velocidades mais baixas, com menor necessidade de uma aerodinâmica “perfeita”.
Garanta que a sua bicicleta tenha a mesa e o guidão na altura apropiada, de forma a permitir-lhe uma posição mais erguida.
Caso tenha algum problema com a sua posição em cima da bicicleta (ou seja, que ainda não tenha encontrado a posição mais confortável) ou tenha dúvidas, faça um bike fit, serviço oferecido por muitas bicicletarias na cidade.
**para entrar em contato com o Richard Dunner, escreva para rdunner@uol.com.br.

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